quarta-feira, 4 de junho de 2014

Zé do redanho seco

Zé do Redanho Seco
homem sisudo feito o sol
tinha esse amargo apelido
pois vendia na cidade pequena
cabritas magras
e com a alma de uma pedra

Chico Girassol
tinha cabeça de semente
que brotava até no cimento
comprava barato
as cabritas do Redanho Seco
E fazia churrasquinho no festival

Os ossos que sobravam
eram limpos por Dona Jacunda
Que fazia deles bijux moderninhas
para enfeitar suas putas

Na natureza nada se perde,
tudo se transborda
Mas amargo feito o sol,
Redanho Seco não fechava a roda
Porque não gostava de comer putas.

As cabritas eram castas
Sofriam e morriam puras
As cabritas do Zé do Redanho Seco
Eram feito as sobras tuas.




2 comentários:

  1. Bacana, começou sujo e eu tenho um certo receio mas não manteve e viu os outros lados e foi poético e delicado, é interessante quando algo é delicado e bruto ao mesmo tempo... mucho lokjoooo

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  2. Cara, que bom que gostou. Eu andei sacando mesmo que essa coisa pesada e suja já foi muito bem explorada e talvez a gente tem que se desprender um pouco pra apresentar coisas novas. Estou trabalhando nisso. Mas é que um pouco de sujeira sempre existe na vida. Receber críticas suas é sempre muito bom, confio no seu taco, sinta-se em casa!

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