domingo, 23 de novembro de 2014

Soneto Árcade: Lamento olhando pela escotilha*


No singelo prosseguir, ao estonteante Deus clamei
Que deu luz aos verdejantes prados em minha mente
Máquina de caminhos espaciais tão doentes
Foste tu, Apollo, quem deitaste as ilusões que tanto amei

Trocaste os montes belos e delicados de nossa paisagem
Pelas bruscas e solitárias escarpas da Lua, ó quanta vaidade!
A perversa disputa entre NASA e Sputnik era de fato verdade
Minha lira agora lamenta a gélida e russa passagem:

Teu esforço, louro Apollo, não passou de mesquinha resposta
Apesar de tamanha glória entre as Américas.
Pois anos antes, um velho Sputnik  havia já levado a aposta

Para esconder a covardia dos homens e o horror das histéricas
Elegeram o brilho da mais bela pastora, de forma cruel e imposta
Depois de ceifarem sua vida, vibraram em gargalhadas quiméricas


pic: Raisa Faetti

* Título do soneto: Vini Tobias - www.larvaspoesia.blogspot.com

domingo, 9 de novembro de 2014

Reciclagem

As árvores da praça são velhas
é velho o centro da cidade
o dentro de você
é velha a sua pasta
ficou velho o sabor crasso
a luz estreita e vagarosa da via

E agora,
por vagabundagem
ouve-se o melodioso
ranger empenado
desse engenho
que recicla
o peso que havia

Porém mais leve porém mais velho porém mais leve


Puro abuso

Rooms by the sea - Edward Hopper